Apresentando

Sobre Noemi Nicoletti (vulgo Mima Pumpkin)

O pai paulista (santista, pra ser exata), formado pela Escola de Cadetes e graduado em engenharia pela UNICAMP, passou por uma transformação radical no último ano da faculdade. De ateu para cristão convicto, resolveu ir desempregado à (para ele na época) exótica Paraíba, ajudar uma pequena igreja a construir um prédio.

O paulista moreno alto de olhos verdes chamou a atenção da juventude feminina da comunidade. Mas o jovem de 22 anos só tinha olhos para uma mulher.

Foi na igreja que encontrou uma paraibana conhecida pelos grandes sorrisos a la Julia Roberts, os longos cabelos cacheados negros e o temperamento arretado.

Quando se falaram pela primeira vez, ele a pediu em casamento. Ela entendeu que era um pedido de namoro. Dez meses depois trocaram votos e alianças na igreja que ajudou a construir. Seis anos e meio depois, no verão de 1986, nasceu Noemi Bragança Nicoletti em Campinas, São Paulo — a terceira criança na casa, quatro anos mais nova que o segundo filho. A única menina.

Ela tinha dois anos de idade quando mudaram para Jaboatão os Guararapes, no estado de Pernambuco.

Eles moravam numa rua que, segundo constava na prefeitura, já tinha sido asfaltada catorze vezes. Mesmo assim, logo depois que chovia, os irmãos mais velhos brincavam de passar com a bicicleta por cima dos pequenos açudes de lama que se formavam.

Branquinha, de cabelo claro (apelidada de galega pelos nativos), curiosa e ativa — porém cercada. Os pais tinham tanta preocupação pela garotinha (“é tão delicadinha“, ouvia sempre do pai) e eram ao mesmo tempo tão ocupados (o pai além de trabalhar como engenheiro, pastoreava voluntariamente uma igreja), que mal tinha a oportunidade de sair de casa.

Numa época sem internet, sem TV a cabo e sem poder sair de casa… o que fazer?

Nunca passou pela cabeça da garotinha que fosse solitária ou que estivesse extremamente entediada. Porque a garotinha sabia que enterrado no quintal da parte de trás da casa havia um castelo de vidro. Lá habitavam todas as criaturas fantásticas dos contos de fadas. Ela sabia que secretamente era uma sereia. E que quase todas as noites era visitada pelo Peter Pan. Só quando amigas de carne e osso pediam para conhecer o rapaz tímido que, em vez dele, recebia a fadinha Sininho. Ela tilintava e sussurrava, ao longe, de detrás das copas das árvores e das luzes dos postes.

— Sério que não conseguem vê-la? — Noemi perguntava, apontando pela janela do quarto para um ponto específico. — Que coisa estranha. Eles devem ter dado só a mim a habilidade de enxergá-los, então.

E deixava o “eles“ pairar no ar, sem nunca explicar quem eram eles.

Hoje em dia, Peter Pan até tenta visitá-la, mas as janelas permanecem fechadas.

Noemi é adulta, mora na Alemanha, formada em jornalismo e teologia, casada com o homem de sua vida, mãe do bebê mais lindo do mundo (na opinião dela), parte de uma igreja que é uma verdadeira família. E ela adora que hoje pode ter aventuras reais com pessoas de carne-e-osso que tanto ama.

Seus livros e contos são uma mistura de ambas as vidas que experimentou. A real — sólida, agridoce, por vezes cruel, tantas vezes fantástica —; a fantasiosa, acalentadora, tutora fiel e ilimitada em suas possibilidades.


Seja bem-vindo.

Abaixo estão respostas a perguntas frequentemente feitas a mim. Se você tiver outras perguntas, é só me escrever.

Por que Mima Pumpkin?

Mima era um apelido de infância. O Pumpkin surgiu do fato célebre que após a meia-noite eu viro abóbora.* Isso virou apelido de internet, pegou e nunca mais saiu, mesmo agora que não sei se ainda tenho idade para isso. É engraçado porque tem pessoas “na vida real” que só me conhecem como Mima. Uma vez, alguém perguntou a um amigo meu de muitos anos de onde ele conhecia a Noemi. Meu amigo não sabia quem era Noemi…

* Virar abóbora significa que quando fico com muito sono eu tenho uma tendência a ficar mais eloquente que o normal e muito menos inibida (similar ao efeito em pessoas normais da ingestão de vodca pura).

É legal morar na Alemanha?

Sou totalmente apaixonada pela Alemanha. Não consigo me imaginar morando em outro lugar. Amo esse país, o povo, a língua e tudo mais. Mas não quero que você se decepcione. É que 99,9% dos brasileiros por aqui passou por uma baita crise quando chegou e muitos não conseguem sair dessa crise. Não é fácil se adaptar à cultura, ao clima, a alimentação, a burocracia, a solidão. Eu mesma falava que comigo ia ser diferente, mas, tenho que confessar que quando cheguei, chorei muito e quis desesperadamente voltar para o Brasil. O que me ajudou na adaptação foi encontrar a Comunidade Cristã Internacional de Karlsruhe. Com celebrações em português e a recepção calorosa de uma verdadeira família brasileira, encontrei nela o apoio e a amizade que eu precisava para superar o que fosse. Além de tudo, foi onde conheci o homem dos meus sonhos, com quem estou há 8 anos casada e tenho um filhinho. Hoje eu e meu marido nos dedicamos a continuar o trabalho dessa igreja, justamente para ajudar outras pessoas em situações parecidas com a nossa a encontrar aqui um lar.

Como você começou a escrever?

Desde criancinha sempre fui apaixonada por boas histórias, seja no formato escrito, em filme ou contada oralmente. Livros, no entanto, sempre exerceram um encanto especial em mim. Minha mãe ri muito quando conta que quando eu era pequena, na falta de livros, lia até mesmo lista telefônica. É o que a falta de um smartphone fazia!


Não demorou muito para que eu mesma começasse a escrever histórias para entreter as pessoas ao meu redor e, principalmente, a mim mesma. Na infância, meu mundo de imaginação era meu lugar de fuga, minha terapia e minha forma de começar a compreender melhor o mundo. Já hoje em dia … pensando bem, acho que hoje em dia, também.