Uma pequena biografia

Sobre janelas e imaginação

Eu tinha dois anos de idade quando minha família mudou de Campinas, São Paulo, onde nasci, para Jaboatão dos Guararapes, no estado de Pernambuco. 

Nós morávamos numa rua que, segundo constava na prefeitura, já tinha sido asfaltada catorze vezes. Mesmo assim, logo depois que chovia, meus irmãos mais velhos brincavam de passar com a bicicleta por cima dos pequenos açudes de lama que se formavam. 

Numa época sem internet, sem TV a cabo e sem poder sair muito de casa… o que fazer? 

Nunca passou pela minha cabeça que eu fosse solitária ou que estivesse entediada.

Porque só eu sabia que, enterrado no quintal atrás da casa, havia um castelo de vidro, onde todas as criaturas fantásticas dos contos de fadas habitavam.

Acontecia de justamente quando minhas amigas de carne e osso pedirem para conhecer o rapaz tímido, em vez dele, eu receber a fadinha Sininho. Ela tilintava e sussurrava, ao longe, de detrás das copas das árvores e das luzes dos postes.

— Sério que não conseguem vê-la? — eu perguntava, apontando pela janela do quarto para um ponto específico. — Que coisa estranha. Eles devem ter dado só a mim a habilidade de enxergá-los, então.

E deixava o “eles“ pairar no ar, sem nunca explicar quem eram. 

Eu cresci, Peter. E não estou mais sozinha. Espero que entenda.

Hoje moro na Alemanha, sou formada em jornalismo e teologia, sou casada com o homem da minha vida, mãe de um menininho que é a coisinha mais fofa, e parte de uma comunidade que é uma verdadeira família. As aventuras reais, que tenho com pessoas de carne-e-osso são minha principal ocupação.

 Poderiamos dizer que meus livros e contos são uma mistura de ambas as vidas que experimentei. A real — sólida, agridoce, por vezes cruel, tantas vezes fantástica —; a fantasiosa — acalentadora, tutora fiel e ilimitada em suas possibilidades.

Obras

Em 2022, meu romance de estréia será publicado pela Editora Pilgrim (www.thepilgrim.com.br) nos formatos físico, áudio e e-book.


FAQ – Perguntas feitas com frequência


Por que Mima Pumpkin?

Mima era um apelido de infância. O Pumpkin surgiu do fato célebre que após a meia-noite eu viro abóbora.* Isso virou apelido de internet, pegou e nunca mais saiu, mesmo agora que não sei se ainda tenho idade para isso. É engraçado porque tem pessoas “na vida real” que só me conhecem como Mima. Uma vez, alguém perguntou a um amigo meu de muitos anos de onde ele conhecia a Noemi. Meu amigo não sabia quem era Noemi…

* Virar abóbora significa que quando fico com muito sono eu tenho uma tendência a ficar mais eloquente que o normal e muito menos inibida (similar ao efeito em pessoas normais da ingestão de vodca pura).


É legal morar na Alemanha?

Sou apaixonada por esse país. Mas não quero que você se decepcione. É que a maior parte dos brasileiros por aqui passou por uma baita crise quando chegou e muitos não conseguem sair dessa crise. Não é fácil se adaptar à cultura, ao clima, a alimentação, a burocracia, a solidão. Eu mesma falava que comigo ia ser diferente, mas quando cheguei, chorei muito e cheguei a querer voltar para o Brasil. O que me ajudou na adaptação foi encontrar a Comunidade Cristã Internacional de Karlsruhe. Com celebrações em português e a recepção calorosa de uma verdadeira família brasileira, encontrei nela o apoio e a amizade que eu precisava para superar o que fosse. Além de tudo, foi onde conheci o homem dos meus sonhos, com quem estou há 10 anos casada e com quem tenho um filhinho. Hoje eu e meu marido nos dedicamos a continuar o trabalho dessa igreja, para ajudar outras pessoas em situações parecidas com a nossa a encontrar um lar.


Como você começou a escrever?

Eu não tinha internet em casa e nem TV a cabo. Eu não podia sair para brincar na rua e já tinha lido tudo que tinha em casa (até mesmo a lista telefônica). Então comecei a criar histórias. Primeiro eu as contava na minha cabeça, depois em voz alta para minha família e amigas, depois passei a colocá-las no papel.

Na infância, meu mundo de imaginação era meu lugar de fuga, minha terapia e minha forma de começar a compreender melhor o mundo. Já hoje em dia … pensando bem, acho que hoje em dia, também.


Por que você escreve ficção cristã?

Porque inevitavelmente o que creio afeta minha forma de enxergar o mundo e minha forma de enxergar o mundo afeta o que escrevo. Eu rotulo com prazer as histórias que escrevo de ficção “cristã” para que as pessoas saibam o que esperar: valores e perspectivas de alguém que é uma seguidora apaixonada de Jesus.


Quero ser escritor(a) de ficção cristã. Como começar?

Primeiro, que legal! Segundo, fica o convite para que você me siga nas minhas redes sociais que de vez em quando trato desse assunto (especialmente no Instagram).